A mudança da percepção humana sobre o mar

A compreensão do Oceano começou com viagens marítimas para comércio e exploração.

Os primeiros navegadores tinham muita habilidade para identificar a direção por meio das estrelas e pela posição do Sol.

- Você consegue se imaginar como um desses navegadores, em um mar aberto, usando as estrelas como seu GPS natural?

Imaginar-se nessas primeiras caravelas é um exercício de humildade. O mar devia parecer um abismo silencioso e infinito, onde as estrelas eram o único fio condutor entre o desconhecido e o destino.

Apesar dos caçadores-coletores capturarem recursos comestíveis, à beira-mar, há mais de 150 mil anos, as grandes descobertas são muito recentes. As primeiras embarcações exploratórias tiveram início em 1400, durante a dinastia Ming.

Por muito tempo, acreditamos que as profundezas do oceano eram desertos biológicos. Foi apenas em 1872, com a expedição do HMS Challenger, que a humanidade percebeu que o fundo do mar transbordava vida. Ali nascia a Biologia Marinha e o nosso desejo de entender o que acontecia abaixo da superfície do mar.

🎙️VOZES QUE INSPIRAM

“Afinal, o que é um cientista? É um homem curioso olhando por um buraco de fechadura, o buraco de fechadura da natureza, tentando saber o que está acontecendo.”

– Jacques-Yves Cousteau
📻 SINTONIZE NO OCEANO

O que você ouviu são os 'cliques' de um cachalote durante a busca por alimento. Esses cliques, usados para ecolocalização, ecoam nos objetos e retornam, fornecendo assim informações sobre o ambiente, mesmo em águas escuras. Durante a busca por alimento, os cachalotes geralmente emitem cliques com espaçamento regular, interrompidos por rangidos, e cliques muito rápidos.

A tecnologia que a natureza criou milhões de anos antes de nós

Em 1925, a bordo do navio alemão Meteor, demos um salto exploratório com o uso de um instrumento: o ecobatímetro ou ecossonda.

Pela primeira vez, usamos ondas sonoras para calcular a profundidade e "enxergar" o fundo do mar através do som. A ecossonda detecta submarinos, peixes, dentre outros organismos subaquáticos.

O que para nós foi uma revolução tecnológica do século XX, para a natureza é um padrão ancestral.

O som viaja muito mais longe na água do que a luz, e por isso animais marinhos como a Orca, o Golfinho, o Cachalote utilizam a ecolocalização há milhões de anos. Eles utilizam o som, e não a luz, para “ver” nos oceanos.

Enquanto levamos séculos para desenvolver a ecossonda, esses seres marinhos já dominavam essa "visão acústica" para caçar, navegar e sobreviver. O que chamamos de tecnologia, para eles, é a própria vida.

Ecossonda na prática

🌊 ONDAS DE REFLEXÃO

Eu vou te propor um exercício. Apague a luz. Você está em um quarto absolutamente escuro. Não há frestas nas janelas, nem o brilho de um LED de carregador. Para encontrar a porta, você não tenta abrir os olhos. Em vez disso, você estala os dedos ou bate palmas. Pelo tempo que o som leva para rebater nas paredes e retornar aos seus ouvidos, você percebe, instintivamente, se o espaço é amplo ou confinado. Você está aprendendo a enxergar sem luz.

PRÓXIMO MERGULHO

Muitas vezes, mergulhamos em estudos e hobbies apenas por amor, sem um objetivo financeiro ou profissional claro. Chamamos isso de "curiosidade", mas e se for, na verdade, uma preparação para o seu verdadeiro propósito?

Na próxima edição do SOWA, abro um pouco da minha história.

Prepare-se para enxergar o oceano — e talvez sua própria história — com outros olhos.