O que eu estava preparando sem saber
Cresci entre mares e montanhas. Férias, finais de semana, estávamos lá, em família, em meio a natureza. Para alguns, estar exposto a esse ambiente representa apenas momentos de prazer e relaxamento. Eu sinto algo a mais, uma conexão. E isso foi se manifestando no decorrer da minha vida.
No antigo “Colegial”, anos 90, apesar de eu admirar a matemática, uma nova matéria me deslumbrou: a Biologia Marinha. Com ela vieram duas pesquisas em campo fascinantes e marcantes: estudo oceanográfico na Ilha Anchieta em 1997 e estudo do meio no Arquipélago de Fernando de Noronha em 1998.
Não segui uma carreira ambiental – falha minha. Por outro lado, nunca deixei de acreditar na intuição, nem dei as costas aos meus desejos.
Simultâneo a formação em desenho industrial e a carreira em comunicação, branding e marketing, cursei comunicação ambiental, design socioambiental, bioarquitetura, além da pós-graduação em gestão e conservação dos espaços naturais. O que fiz com esses estudos? Era uma sede por conhecimento daquilo que eu amava. Eu só não sabia que era uma preparação de algo que estaria por vir.
Subestimamos o conhecimento que adquirimos apenas por amor, sem retorno financeiro. Mas é exatamente esse o saber que nos diferencia.
Hoje, dedico dar voz ao ambiente marinho através do SOWA – Sound of the Waves. E para essa voz ecoar, vamos unir vozes. É na força coletiva que conservaremos o mar, nossa verdadeira riqueza.

Estudo do meio em Fernando de Noronha, 1998. Meus registros de quantificação da fauna marinha levantada durante as atividades de mergulho livre. Nomes das espécies identificadas no mar e a quantidade aproximada de cada uma.

🎙️VOZES QUE INSPIRAM
“A verdade é que o mundo natural está mudando. E nós dependemos totalmente desse mundo. Ele nos fornece alimento, água e ar. É a coisa mais preciosa que temos e precisamos defendê-lo.”
A Biodiversidade sob e sobre as ondas
Quanta vida encontrei em um pequeno espaço do mar, imagina em todo o Oceano.
Ao mergulhar você é capaz de olhar minúsculos animais entre os recifes. E de repente, passa um cardume de peixes por você. Se tiver sorte, surge também uma criatura majestosa, como a baleia ou um tubarão.
Quão incrível é esse ambiente aquático, naturalmente rico em sua ampla biodiversidade. Sem falar dos répteis oceânicos, como tartarugas, serpentes, lagartos e crocodilos; e das aves marinhas, dentre os 270 tipos, as gaivotas, os pelicanos, os albatrozes, os petréis e os pinguins.
Aliás, as aves que cruzam o oceano são os animais voadores mais eficientes do mundo. Buscam alimentos por meses pelo oceano em condições de ventos fortes e ondas altas; não procuram por abrigo durante as tempestades; suportam o calor tropical e o granizo polar; planam continuamente no ar com uma eficiência de deslize que excede a do planador mais eficiente já construído por humanos.
Vale dar atenção especial a uma delas – minha ave predileta, e entenderão porque: o magnífico Albatroz!
A maior ave, com uma envergadura atingindo 3,6 metros. Sua asa é aerodinâmica, ideal para planagem e deslizamento em alta velocidade, com pouco gasto energético. Seu coração bate mais lentamente durante o voo do que parado calmamente na superfície do oceano. Passa a maior parte da vida planando sobre os oceanos, podendo voar por 10 meses ou 16.000 km sem pousar, estando em terra apenas para reprodução. Ouso dizer que ele é um “atleta” por natureza!
Levei o foco as aves, não foi por acaso. Pude mostrar além do fundo do mar, quanta vida o oceano comporta. Ele por si só é um organismo vivo.
Considero o oceano o meu próprio lar, com respeito e proteção!
🎬 CINE-MAR
Documentário - 2025: “Oceanos com David Attenborough”
David Attenborough apresenta a beleza do mar e as maneiras pelas quais os humanos estão esgotando suas riquezas. O filme ajuda a refletir profundamente sobre a importância do oceano, as ameaças que ele enfrenta e as soluções que podem garantir sua proteção.
PRÓXIMO MERGULHO
Na próxima newsletter, relato como um de meus nados em mar aberto, se transformou em um despertar para uma causa pouco falada: a poluição acústica nos oceanos. Do ritmo das marés ao caos das turbinas eólicas, vamos entender o que realmente forma a "paisagem acústica" dos oceanos.
Sinfonia ou ruído? Descubra na próxima edição do SOWA.
