Arquipélago de Zanzibar - Leste da África - Oceano Índico

O superpoder dos pinguins

Trago aqui um assunto curioso. A anatomia auditiva dos pinguins.

Possivelmente você nunca parou para pensar que esses animais têm a capacidade de ouvir tanto em ambientes terrestres quanto aquáticos.

- Imagine a gente se comunicando com clareza e nitidez debaixo d’água, além da superfície terrestre.

Esse poder natural pertence aos pinguins. Os verdadeiros acrobatas da natureza, que dividem suas vidas entre longas caminhadas na terra ou no gelo, e mergulhos profundos no oceano.

O biólogo marinho e pesquisador alemão Michael Dähne revelou que os pinguins possuem adaptações anatômicas altamente especializadas. Debaixo d´água, o ouvido deles (lembrando que não possuem orelhas externas) funciona como um "fone de ouvido inteligente de última geração", que se adapta perfeitamente para isolar a água e a pressão, sem que eles percam a capacidade de ouvir.

Na terra, eles conseguem filtrar a poluição sonora de suas colônias barulhentas. Sob a água, seu ouvido se ajusta para decifrar os sons do oceano.

No fim das contas, enquanto nós precisamos de tecnologia para tentar explorar o desconhecido no fundo do mar, os pinguins nasceram preparados pela própria evolução para dominar dois ambientes. Admirável!

Isso me faz lembrar de que nós humanos somos os “irmãos mais novos da Criação”. De que temos menos experiência de como viver, portanto, quem mais tem a aprender. Devemos procurar nossos “professores” de outras espécies em busca de orientação. Cabe a nós aprendermos a escutá-los.

🎙️VOZES QUE INSPIRAM
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“Como vocês esperam se comunicar com o oceano, se nem sequer conseguem entender uns aos outros?”

– Stanisław Lem
📻 SINTONIZE NO OCEANO

Orcas gravadas por um hidrofone ancorado em uma enseada no Parque Nacional de Glacier Bay.

Por que motores de embarcações ocupam o canal de comunicação das baleias?

Nem todo som é igual. Variam de acordo com a intensidade, a duração e a altura ou tom (frequência, medida em hertz).

Os sons de baixa frequência (ou tons graves), são utilizados na comunicação entre grandes espécies de baleias, e também muitas espécies de peixes. Exatamente nesta mesma faixa de frequência (graves), é emitido o ruído dos navios. A má notícia é que os navios reduzem o alcance de comunicação dos animais marinhos de centenas de quilômetros para menos de 10% da distância original.

Orcas e Cachalotes, espécies que vocalizam, ouvem não só para interagir umas com as outras. Essas espécies utilizam a audição para encontrar alimento e parceiros, evitar predadores e navegar. O som é essencial para a sobrevivência de diversas espécies marinhas.

Os animais tiveram entre 40 e 50 milhões de anos para evoluir em seu ambiente acústico. Em um século, com a era industrial, a atividade humana alterou drasticamente a paisagem sonora subaquática.

A forma como utilizamos os oceanos afeta o cotidiano e as funções vitais das espécies marinhas. Podemos evitar a realização de atividades ruidosas em locais que sejam importantes para animais protegidos ou para espécies de interesse pesqueiro. Além de reduzir a poluição sonora em ecossistemas sensíveis, situados em áreas importantes, como os Santuários Marinhos Nacionais.

Desde o princípio do mundo, as outras espécies foram botes salva-vidas para os humanos. Agora, precisamos inverter os papéis e ser o delas.

🌊 ONDAS DE REFLEXÃO
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Vamos nos colocar no lugar de uma baleia onde há embarcações interferindo em sua trajetória:

“Você está em uma conversa importante com alguém dentro de uma sala completamente silenciosa. Repentinamente um alarme dispara e não desliga mais. Para continuar conversando, você precisaria gritar, e mesmo assim a pessoa só o ouviria se estivesse a poucos centímetros de distância. Uma interferência que monopoliza a atenção do cérebro e bloqueia a clareza da fala. A conversa é cancelada.”

PRÓXIMO MERGULHO

Mares já varreram cidades e civilizações inteiras. Hoje, enquanto o mar ergue ondas cada vez maiores pelas mudanças climáticas, a cultura ancestral da Nova Zelândia nos oferece uma resposta: o mar é família. Na próxima edição do SOWA, unimos a ciência das ondas e a sabedoria Māori para entender o nosso verdadeiro papel diante do oceano.

Não perca a próxima leitura.