O que as ondas gigantes têm a nos dizer

Quem vive nesse planeta depende totalmente dos seus oceanos. Suas temperaturas e seus movimentos controlam o clima. Sua capacidade destrutiva e geradora de vida supera qualquer coisa na terra.

Segundo o IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), “o oceano vem absorvendo mais de 80% do calor acrescentado ao sistema climático”. O aquecimento das águas reflete um desequilíbrio em cadeia: aumenta a velocidade dos ventos, as zonas de ciclones se tornam mais voláteis, as geleiras e as calotas polares derretem e elevam os níveis oceânicos. Ações essas que a gente vem observando com mais frequência.

As alturas médias das ondas têm subido constantemente. O impacto disso é grande quando consideramos que mais de 60% da população global vive em um raio de 50 quilômetros da costa. No decorrer da história, os mares varreram cidades, ilhas e até civilizações do mapa.

As ondas gigantes, são uma demonstração majestosa da força invisível que move tudo. É algo lindo, poderoso e assustador.

A minha intenção aqui é levar a sua atenção para uma situação que vivemos hoje e que deve ser considerada e compreendida, pois afeta a todos nós. A mudança climática!

Essa mudança em parte é atribuída pelos próprios ciclos da natureza e, por outro lado, pela nossa interferência na química do planeta. Podemos esperar grandes mudanças no que diz respeito ao comportamento oceânico. Temperatura oceânica mais alta significa mais vento. Com a velocidade do vento a força dos furacões cresce exponencialmente, e assim a energia das ondas aumentam, desencadeando o aumento de tsunamis mundo a fora. Nove das dez maiores cidades do mundo estão localizadas em terra costeira baixa.

A natureza com frequência perturba nossas tentativas de prever seu próximo lance. Devemos rever nossa relação com o meio ambiente, e não é depois, É PRA JÁ!

📻 SINTONIZE NO OCEANO

1 minuto para um banho de mar em meditação:

  • Feche os olhos, relaxe os ombros e alinhe a sua respiração ao ritmo contínuo da maré;

  • Puxe o ar profundo e lentamente pelo nariz por 4 segundos;

  • Segure o ar por 2 segundos no topo do peito;

  • Solte o ar devagar pela boca por 6 segundos, fazendo um som suave de sopro;

  • Repita e sinta a onda trazendo calma, frescor, renovação, e levando embora qualquer ruído mental.

O mar é família: a visão ancestral da Nova Zelândia

Vamos atracar na Nova Zelândia.

Na mitologia Māori, a figura Tangaroa representa o grande deus do oceano, dos rios e das criaturas marinhas.

Para os Māori, a humanidade e o oceano não são entidades separadas. A vida marinha é vista como irmã dos seres humanos. Explorar ou agredir o oceano é o mesmo que agredir a própria família.

Tangaroa criou regras para manter o mar e seus animais seguros. O relacionamento deve ser de reciprocidade entre humanos e natureza, e não de extração predatória.

Dentre as regras, algumas práticas éticas que guiam esse relacionamento são: devolver o primeiro peixe ao mar como oferenda de gratidão a Tangaroa; interdição temporária e sagrada de certas áreas, ou espécies, para permitir que o ecossistema se recomponha; retirar apenas o necessário. O desperdício e a ganância enfraquecem o equilíbrio espiritual e material da comunidade.

“Tiaki mai i ahau, maku ano koe e tiaki” - Provérbio maori

“Se você cuidar de mim, então eu cuidarei de você”

Tangaroa é também retratado como uma baleia, animal altamente sagrado na cultura maori. Falaremos disso em uma outra newsletter.

🎙️VOZES QUE INSPIRAM
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“Para cultivar o respeito e a relevância pela natureza, é importante mudar nossa consciência de uma ideia de posse para uma ideia de relacionamento.”

– E. F. Schumacher
PRÓXIMO MERGULHO

Na próxima edição da SOWA, desvendaremos o canal acústico abaixo de 20 Hz que une a savana ao oceano. E vamos até a costa de Knysna, na África, para acompanhar o improvável encontro entre uma elefanta e uma baleia-azul. Muito mais do que inteligência e sensibilidade, o que essas gigantes têm a nos ensinar sobre solidão, escuta e pertencimento.

Aguarde a próxima edição.